A cozinha transmontana pode ser amiga do coração

A cozinha transmontana pode ser amiga do coração
23 de Fevereiro, 2026

A cozinha transmontana pode ser amiga do coração

Tradição, equilíbrio e saúde cardiovascular no Mês do Coração e dos Afetos

Enquanto Nutricionista, sei que falar de alimentação é falar para além dos nutrientes. É falar de cultura, hábitos e identidade.
Na nossa região, a cozinha transmontana faz parte de quem somos e de memórias à mesa.

Não temos de escolher entre saúde e tradição. Com equilíbrio, consciência e alguns ajustes, é possível manter a tradição viva e fazer dela uma aliada da saúde cardiovascular.

A Organização Mundial da Saúde recomenda um consumo diário de sal inferior a 5 gramas, o correspondente a 1 colher de chá de sal. Sabe-se que os portugueses consomem, em média, mais do dobro da quantidade máxima diária recomendada e, que o consumo excessivo de sal está associado ao aumento da pressão arterial e do risco de doenças cardiovasculares.

Neste Mês do Coração e dos Afetos, importa desmistificar que não é preciso abandonar a tradição para cuidar da saúde. O que faz a diferença não é um prato isolado, mas sim a frequência, a quantidade e a forma como cozinhamos.

O que a cozinha transmontana tem de positivo para o coração

A base da alimentação tradicional da nossa região inclui muitos alimentos ricos nutricionalmente:

– Sopas ricas em legumes e hortaliças;
– Uso frequente de leguminosas como o feijão e grão-de-bico;
– Utilização do azeite como gordura principal;
– Alimentos maioritariamente cozidos ou assados.

Estes padrões alimentares estão associados a hábitos que favorecem a saúde cardiovascular, contribuindo para uma alimentação mais equilibrada e protetora do coração.

O risco para o coração surge quando a tradição é acompanhada de excessos regulares, sobretudo:

– Consumo frequente de alimentos processados, como a alheira, salpicão, chouriço e presunto;
– Uso de sal em excesso na preparação e confeção dos alimentos;
– Consumo frequente de fritos;
– Consumo elevado de carnes vermelhas, como vaca, vitela e cabrito.

Estes hábitos, mantidos ao longo do tempo, contribuem para o aumento da pressão arterial, do colesterol e consequentemente do risco de enfarte ou acidente vascular cerebral – por vezes sem sintomas prévios.

Cuidar da sua saúde não exige mudanças radicais. Exige consistência:

– Reduzir o uso de sal e aumentar o uso ervas aromáticas e condimentos
– Evitar levar o saleiro para a mesa
– Ler os rótulos nutricionais e escolher alimentos com um teor de sal inferior a 0,3g por 100g de alimento
– Evitar o consumo frequente de aperitivios, batatas de pacote, refeições pré-confecionadas e congeladas
– Reservar os enchidos e fumados apenas para ocasiões especiais

Estas adaptações ajudam a manter o sabor e identidade da nossa cozinha, ao mesmo tempo que contribuem para hábitos alimentares mais saudáveis para o coração.

Alimentação como aliada na prevenção

A alimentação é um dos fatores de risco modificáveis mais relevantes quando se fala em doenças cardiovasculares. Associada a um estilo de vida saudável e à prática regular de atividade física, constitui uma ferramenta importante de prevenção, em qualquer faixa etária.

No grupo Terra Quente Saúde, acreditamos que cuidar do coração passa por informar, acompanhar e respeitar a realidade de cada pessoa.

Neste Mês do Coração e dos Afetos, o convite é simples: olhar para o prato com consciência, equilíbrio e cuidado.

Porque tradição, aliada a escolhas equilibradas, também é saúde.

Cuidar do coração é cuidar da vida.

Escrito por Dra. Mariana A. Ferreira 5631N

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